Os Anos Loucos - William Wiser


Sinopse

O fascinante período em que escritores e pintores; músicos e bailarinos; novos e velhos ricos, exilados da Rússia comunista e dos Estados Unidos, convergiram em bloco, num movimento único da história, para uma cidade estimulante e irreverente.


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Os Exilados de Montparnasse
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Paris é uma Festa - Ernest Hemingway
Ernest Hemingway
F. Scott Fitzgerald
Gertrude Stein
Jean Cocteau
Tristan Tzara

Os Exilados de Montparnasse - Jean-Paul Caracalla



A América é minha terra, mas Paris é minha casa. A célebre frase de Gertrude Stein define a relação de editores, escritores e pintores com a Cidade Luz do início do século XX. Para eles, capital da emancipação das artes e da liberdade de expressão. Um câmbio vantajoso (um dólar comprava 55 francos), viagens transatlânticas especiais a preços reduzidos a bordo de navios French Line, ausência de proibição - que permitia aos mais etílicos consumir imoderadamente cerveja, uísque, gim e bourbon - eram alguns dos privilégios oferecidos aos americanos pós-Primeira Grande Guerra.

Em Os Exilados de Montparnasse, Jean-Paul Caracalla recria o clima libertário e de total independência vivido por mais de 250 artistas anglo-saxões radicados na cidade. Ao adotar Montparnasse como refúgio boêmio, esses recém-chegados se recusaram a aceitar as restrições, o puritanismo, a censura e o sexismo que tomou conta de seus países. Os dias eram passados na livraria americana Shakespeare and Company, de Sylvia Beach, ou no ateliê de Gertrude Stein.

Nesta Paris fervilhante, estavam constantemente em contato F. Scott Fitzgerald, Hemingway, D. H. Lawrence, Joyce, Miller, Pound e Edith Wharton, entre outros. Qual a residência das Musas na Grécia, aquele monte Parnaso se torna o Olimpo da criatividade. Um ponto de encontro internacional de poetas, pintores e suas excêntricas inspiradoras. Um grupo que marcou a história da literatura e ainda suscita o interesse de crítica e público.

Os Exilados de Montparnasse transmite, em páginas pulsantes de vida, encharcadas de álcool e de sensações hedonistas, a atmosfera de bares, cafés e livrarias. A essência do espírito boêmio como autêntica expressão cultural de Paris e uma afirmação vigorosa da liberdade, contra a rigidez e os valores utilitários da sociedade convencional.


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Os "loucos anos 20" e as Mutações nos Comportamentos e na Cultura



"Os anos 20 (1924-1929) foram anos de prosperidade. O "American way of life" ("estilo de vida à americana") invadiu a Europa. Aos benefícios da sociedade de consumo associou-se a busca de prazer e a evasão e intensificou-se a vida noturna. Os teatros, os cinemas, os night-clubs e outras salas de espetáculos e de jogos das grandes cidades tornaram-se locais habitualmente frequentados. As novas bebidas (cocktail), as novas músicas (sobretudo o jazz) e as novas danças (charleston, lambeth walk, swing e rumba) passaram a animar a vida noturna. Rallies de automóveis, corridas de carros e de cavalos e outros desportos (como o futebol) constituíam outros divertimentos que envolviam grandes massas. O rápido desenvolvimento dos meios de transporte (comboio, automóvel, avião) e dos meios de comunicação (rádio, telégrafo, telefone...) acelerou o quotidiano das pessoas, favorecendo uma maior mobilidade espacial e do ritmo de vida. A moda de viajar entrou nos hábitos e prazeres das classes médias. Às viagens de negócios acrescentaram-se as viagens lúdicas, de turismo, quer no interior dos próprios países, quer para países estrangeiros, criando-se e desenvolvendo-se novas infra-estruturas para apoio destes lazeres: agências de viagens, serviços de hotelaria especializados, mapas, guias turísticos, bilhetes-postais ilustrados, etc. Paralelamente a este novo estilo de vida, o período entre as duas guerras mundiais caracterizou-se por uma latente inquietação e instabilidade nos comportamentos sociais. A paz estabelecida pelo Tratado de Versalhes, que pôs fim à 1.ª Guerra Mundial (1919), foi uma paz aparente, já que, na Alemanha e na Itália, o nazismo e o fascismo iniciavam a sua caminhada galopante. A crise de 1929 viria a agravar essa instabilidade gerando mesmo angústias e miséria que iriam ter consequências a todos os níveis."



A Era dos Extremos
Eric Hobswam



Achados da Geração Perdida




Outono de 1908, estúdio do jovem (e duro) pintor Pablo Picasso, no decadente bairro de Montmartre, Paris. Trinta amigos reúnem-se para um banquete em homenagem ao pintor sexagenário Henri Rousseau. Picasso destina 50 garrafas de vinho para a festa e a comida, uma enorme paella valenciana, é preparada por Fernande Olivier, namorada do pintor.


Assim começa a orgia gastronômica de Achados da Geração Perdida, um festim celestial onde escritores, artistas, músicos e bailarinos da Paris dos anos 20, os Anos Loucos, são os comensais.


Partilhe um escargot a la Bourguignon com Hemingway e Scott Fitzgerald. Reviva o banquete oferecido por Picasso ao pintor Henry Rousseau, juntamente com George Braque e Apollinaire. Sente-se à mesa com James Joyce e sua editora Sylvia Beach para beliscar ostras e aspargos com maionese ao vinho tinto. Tome um chá com Gertrude Stein. Deguste uma sopa de cebolas no mítico Les Halles, o grande mercado no centro de Paris, com Man Ray e Kiki de Montparnasse.


Em trinta esquetes apetitosos, a autora reconstitui deliciosamente os prazeres da Geração Perdida, a primeira fornada de artistas do Modernismo, "no único lugar do planeta que nos dá a oportunidade de viver numa atmosfera normal para um ser humano", nas palavras de Richard Wright. Paladar e boa conversação sempre foram ingredientes obrigatórios no livro de receitas do savoir vivre, o que pode se constatar prontamente na reconstituição habilidosa da aura de uma época tão bem delineada por Rodriguez-Hunter. Não fosse pelo diálogo ao redor de uma mesa, a refeição seria mero pasto. Desta forma não nos diferenciariamos dos animais. Estes podem encher o estômago em silêncio. Para os seres humanos, trata-se de nutrir o corpo e a alma com o complemento de uma amena conversação espirituosa, temperada pelos sabores mais transcedentais. Daí tantas regras sobre o que dizer e como falar a mesa. O diálogo congrega aqueles que a comida tenderia a separar, por sua atração irresistivel. É para esta festa constante de inteligência e bom gosto da década de 20 que Rodriguez-Hunter convida seus leitores. Bon appétit!

Duas Vidas: Gertrude e Alice - Janet Malcolm


Sinopse

Como foi possível um casal de judias, homossexuais e já em idade avançada, sobreviver aos nazistas na França Ocupada? Com essa pergunta, Janet Malcolm inicia um trabalho de biografia literária e jornalismo investigativo. 'Duas vidas' é um retrato do par formado por Gertrude Stein e Alice B. Toklas, que atendeu às necessidades de Stein durante os quarenta anos de seu casamento. Com o foco na época em que Stein e Toklas moraram numa aldeia da França de Vichy, 'Duas vidas' explora as ambigüidades de suas protagonistas e de seu tempo. De aparência e temperamento opostos, as duas mulheres lançaram mão de subterfúgios os mais diversos para permanecer na França depois de as deportações já terem começado. Malcolm revela que as duas guerras mundiais que Stein e Toklas atravessaram juntas têm como paralelo a guerra privada que se travava entre elas e que às vezes eclodia em combates amargos. 'Duas vidas' é também uma obra de crítica literária, que investiga a biografia, seus jogos de vozes e de versões que nem sempre se confirmam.

Saiu na Imprensa: Correio Braziliense / Data: 19/7/2008

Os mistérios de duas mulheres

Entre a biografia literária e o jornalismo investigativo, livro destaca os enigmas das vidas da escritora Gertrude Stein e de sua companheira, Alice Toklas

Pablo Picasso pintou em 1906 o famoso retrato da escritora Gertrude Stein, hoje importante peça da galeria de arte moderna do Metropolitan Museum, de Nova York. A tela de tons escuros traça o corpo gordo de Gertrude, um lenço branco sobressai preso a um broche. O rosto não é o dela. É uma máscara.

Mais de um século depois, a máscara cubista que Picasso pôs em Gertrude ainda incomoda estudiosos, professores, jornalistas e seu imenso público leitor. Em seu mais recente livro, a jornalista da revista The New Yorker e escritora Janet Malcolm busca o verdadeiro rosto de Gertrude. Duas vidas - Gertrude e Alice, lançado pela Paz e Terra, é um pequeno libelo sobre os enigmas que ainda pairam na biografia de Gertrude e sua companheira Alice. Como um casal de judias e homossexuais sobreviveu aos nazistas? Por que elas permaneceram na França, já que, ambas americanas, poderiam ter voltado com segurança aos Estados Unidos? E por que Alice, mesmo 20 anos depois da guerra, continuava escondendo sua identidade judia, seja em textos, biografias ou entrevistas?

Na tela de Picasso, Gertrude está sentada em uma poltrona, em sua casa, em Paris, na mesma sala onde, no início do século 20, ela e Alice reuniam, em torno da lareira, artistas, pintores e escritores como Hemingway, Bracque, Matisse, o próprio Picasso e muitos outros. Era o início do movimento modernista. Nesse cenário, Janet Malcolm lembra que nos relatos pessoais da ocupação nazista o que está escrito diz muito pouco. É preciso ir além. “Biografias e autobiografias são um conjunto do que, no primeiro caso, o autor consegue descobrir e, no segundo, do que ele decide contar” afirma.

Gertrude e Alice viveram juntas mais de 40 anos. Um amor que atravessou décadas pontilhado com cenas de ciúme de Alice, que cuidava de Stein e também protegeu sua memória depois que ela morreu, logo após a II Guerra. Gertrude escreveu um livro que hoje é visto como uma obra-prima do movimento modernista, The making of americans. Mas o reconhecimento público como escritora veio com outro trabalho seu, A Autobiografia de Alice Toklas, onde ela utiliza a voz da companheira para contar (e exaltar) sua própria história. Alice, em seu Livro de Cozinha de Alice Toklas, puxa o fio da memória sobre sua vida com Gertrude. “A semelhança de tons entre os livros só faz aprofundar o mistério de quem influenciou quem”, conclui Malcolm.

Enigma

The Making Of Americans surgiu bem antes da guerra. Uma composição de 925 páginas e um texto considerado incompreensível. Janet Malcolm dedica toda a segunda parte de Duas vidas a um exame minucioso das interpretações feitas sobre esse livro. Há um grupo de “steinianos” – liderados por três professores de literatura – dedicados ao estudo. Um caminho para entender o seu estilo experimental e complexo pode ser as anotações que precederam o livro. Perdidos durante anos, um lote de cadernos com datas de 1902 e 1911 foi encontrado pelo professor de literatura Leon Katz em uma biblioteca de Yale. De posse dos cadernos, Katz conseguiu entrevistar Alice Toklas na década de 1960, e ouviu dela, conta-nos Janet, “segredos chocantes sobre sua vida com Gertrudes”. Para os estudiosos, lembra Janet, “boa parte da Stein que se encontra oculta nas biografias é revelada de forma mais clara nestes cadernos”. A pitada de suspense que a jornalista inclui em Duas vidas é a espera ansiosa pelos cadernos de Gertrudes e pelas anotações feitas durante a histórica entrevista de Alice. Leon Katz utilizou partes em sua tese de doutorado. Os textos inéditos, ele não mostra a ninguém e também adia a publicação indefinidamente.

Duas vidas, Janet Malcolm fica entre a biografia literária e o jornalismo investigativo. A edição traz inúmeras fotos das duas personagens principais. Alice e Gertrude na sala da casa em Paris, na casa de campo onde sobreviveram à II Guerra, ainda jovens e já velhinhas. Nas últimas fotos, ambas de cabelos curtíssimos, e as marcas masculinas que o tempo fixou em seus rostos. Diz a lenda que Stein gostou muito do retrato feito por Picasso. Mas reclamou: “Não se parece nada comigo!”. Ao que Picasso respondeu, digamos, profeticamente: “Um dia ainda vai parecer...”

Sobre o autor:

JANET MALCOLM

Norte-americana, vive em Nova York. Diplomou-se na Universidade de Michigan na década de 50, tendo escrito vários livros, entre eles Diana and Nikon (ensaios sobre a estética da fotografia) e In the Freud archives.