Antes da revolução russa, o café predileto dos conspiradores bolcheviques e mencheviques havia sido o La Coupole, na place Vavin do boulevard Montparnasse. Exilados políticos como o arrebatado intelectual Leão Trotski sentavam-se ali insuflando as esperanças dos companheiros banidos, enquanto Lenin, à espera de sua hora, preferia jogar xadrez numa mesa a um canto. A derrocada social e militar da Rússia czarista possibilitou o levante comunista e por fim a tomada do poder: a guerra civil foi responsável por uma nova leva de exilados para o Ocidente e, em especial, para Paris. A antiga colônia de conspiradores, enquanto isso, viajava na direção oposta. As teorias socialistas que eles tinham tecido e discutido nas mesas de café de Zurique e Paris entraram subitamente em vigor; os exilados podiam retomar à Rússia em triunfo, preparados para dirigir o novo regime bolchevique.
Em Paris, os revolucionários foram substituídos pelos aristocratas, mas aristocratas destituídos de riqueza e privilégios.
"De repente nós todos ficamos pobres. Você fazia um cheque do Banco Imperial, mas os rublos não vinham."
Observou o compositor Igor Markevitch. Grão-duques trabalharam como maîtres, coronéis czaristas tomaram-se porteiros de hotel (os patrões achavam que os russos envergavam seus uniformes cheios de galões e dragonas com incrível distinção) e muitos foram ser motoristas de táxi, como o 'coronel Taxovich' do Lolita de Nabokov:
"Havia milhares deles no desempenho
dessa função de maluco."

