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Os Anos Loucos - Capítulo 9: A Maré Báltica

Antes da revolução russa, o café predileto dos conspiradores bolcheviques e mencheviques havia sido o La Coupole, na place Vavin do boulevard Montparnasse. Exilados políticos como o arrebatado intelectual Leão Trotski sentavam-se ali insuflando as esperanças dos companheiros banidos, enquanto Lenin, à espera de sua hora, preferia jogar xadrez numa mesa a um canto. A derrocada social e militar da Rússia czarista possibilitou o levante comunista e por fim a tomada do poder: a guerra civil foi responsável por uma nova leva de exilados para o Ocidente e, em especial, para Paris. A antiga colônia de conspiradores, enquanto isso, viajava na direção oposta. As teorias socialistas que eles tinham tecido e discutido nas mesas de café de Zurique e Paris entraram subitamente em vigor; os exilados podiam retomar à Rússia em triunfo, preparados para dirigir o novo regime bolchevique.

Em Paris, os revolucionários foram substituídos pelos aristocratas, mas aristocratas destituídos de riqueza e privilégios.

"De repente nós todos ficamos pobres. Você fazia um cheque do Banco Imperial, mas os rublos não vinham."

Observou o compositor Igor Markevitch. Grão-duques trabalharam como maîtres, coronéis czaristas tomaram-se porteiros de hotel (os patrões achavam que os russos envergavam seus uniformes cheios de galões e dragonas com incrível distinção) e muitos foram ser motoristas de táxi, como o 'coronel Taxovich' do Lolita de Nabokov:

"Havia milhares deles no desempenho
dessa função de maluco."


Os Anos Loucos - Capítulo 8: No Mundo das Melindrosas

Antes da guerra, Gabrielle (Coco) Chanel era compartilhada por dois ricos amantes num ménage à trois que se movia das terras e do pavilhão de caça de Arthur Capel a Paris, onde Chanel foi instalada em seu próprio apartamento no térreo do hôtel particulier de Etienne Balsan. Para o francês Balsan, Coco era a companheira charmosa que ele podia exibir no Delmonico's e no Maxim's, uma conquista tão decorativa em público quanto sedutora na intimidade. O inglês 'Boy' Capel considerava-a mais que uma cocote eventual. A mulher magra e de cabelos negros da Auvergnate se vestia de modo simples, no entanto com muito apuro, o que não correspondia a sua origem humilde. Ninguém teria acreditado naquilo que a própria Chanel, ao longo de toda a vida, empenhou-se em ocultar: ela havia crescido na pobreza rural; abrira caminho em Paris no circuito dos music-halls e penetrou no beau monde com a ajuda de amantes como Balsan e Capel.

Como Chanel tinha talento para desenhar e a ambição de fazer negócios, Capel montou uma chapelaria para ela, bem perto do Hotel Ritz para garantir-lhe clientela abastada. Seus chapéus foram um sucesso: Chanel provou estar em seu elemento entre as etiquetas exclusivas e os exigentes compradores da place Vendôme. Suas aspirações ultrapassavam o ramo da chapelaria: Coco Chanel pretendia tomar-se modista da sociedade. Quando ainda desenhava chapéus para a loja, observou uma noite, no teatro, uma platéia de mulheres com roupas tão rebuscadas quanta as das personagens de Molière no palco, e murmurou para Capel uma profecia e promessa:

"Isso não pode continuar assim.
Vou vesti-las de preto, e com simplicidade."

Jean Cocteau

Jean Maurice Eugène Clément Cocteau (5 de julho de 1889 - 11 de Outubro de 1963) foi um poeta, romancista, dramaturgo, criador, artista e cineasta francês. Junto com outros surrealistas de sua geração, Cocteau agarrado com a "álgebra" de códigos verbais antigos e novos, mise en idioma scène e tecnologias do modernismo cria um paradoxo: uma clássica avant-garde.


Seu círculo de associados, amigos e amantes incluiu Pablo Picasso, Jean Hugo, Jean Marais, Henri Bernstein, Édith Piaf, que esteve no elenco de uma de suas execuções, um ato intitulado Le Bel Indiferente em 1940, e Raymond Radiguet. Seu trabalho foi além do mundo teatral dos Grands Theatres. Sua versatilidade, a abordagem não convencional e de enorme saída trouxe fama internacional.

"Ele não sabia que era impossível. Foi lá e fez."
(Jean Cocteau)