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Paris é uma Festa - Ernest Hemingway

Paris é uma Festa [A Moveable Feast] é o conjunto de memórias do autor americano Ernest Hemingway sobre seus anos em Paris, como parte do círculo dos escritores expatriado em 1920. Além de pintar um quadro desse tempo, ele esboça a sua luta como jovem escritor entre os famosos da época e a sua história e de sua primeira mulher, Hadley.

Em Paris é uma Festa revela um Hemingway diferente. Em Paris, aos 22 anos, ele lê, pela primeira vez, clássicos como Tolstói, Dostoievski e Stendhal. Convive com Aleister Crowley, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald, Ford Madox Ford, John Dos Passos, James Joyce e Gertrude Stein, figuras polêmicas e encantadoras para o jovem Hemingway.

A cidade e esses "companheiros de viagem" deram-lhe nova dimensão do humano e maior sensibilidade para alcançar os seus dois objetivos primordiais na vida: ser um bom escritor e viver em absoluta fidelidade consigo próprio. Há, em Paris é uma festa, momentos de suave melancolia, alternados com outros de cortante, quase selvagem crueldade.

O livro começou a ser escrito no outono de 1957, em Cuba, e foi finalizado na primavera de 1960. Após ter escrito Paris é uma Festa, Hemingway recapturou, durante algum tempo, a felicidade perdida, o gosto da juventude, vividos naquela época. Depois disso colocou, então, na boca os dois canos da Shotgun, sua carabina de caça predileta, e atirou, acabando assim com sua vida.

O livro foi editado pela quarta esposa de Ernest, Mary Hemingway, e publicado em 1964, quatro anos após a morte de Hemingway. Ele contém observações e relatos pessoais de sua experiência em 1920. Fornece detalhes de endereços específicos de cafés, bares, hotéis e apartamentos que ainda podem ser encontrados hoje em dia em Paris.

O título foi sugerido por um amigo de Hemingway, A.E. Hotchner, autor de Papa Hemingway, e vem de uma conversa a dois que tiveram uma vez sobre a cidade durante as primeiras visitas de Hotchner à Paris:

"Se você tiver a sorte de ter vivido em Paris, quando jovem, então onde quer que vá para o resto de sua vida, ela permanece com você, porque Paris é uma festa."

A publicação de Ulisses II: pela Shakespeare and Co.

Miss Harriet Weaver, pioneira da publicação de textos de James Joyce em sua revista The Egoist, divulgou aos leitores Um retrato do artista quando jovem. Depois da descoberta de James Joyce por Ezra Pound, o irlandês logo se tornou um escritor emblemático para todos os que gravitam em torno do poeta dos Cantos. Dedalus é elogiado por H. G. Wells, apoiado por T. S. Elliot, admirado por Hilda Doolittle (H. D.), Bob McAlmon, Hemingway... 

Todos os exilados de Montparnasse acompanham apaixonadamente os esforços de Harriet Weaver para editá-lo. Luta antecipadamente perdida, já que os immpressores ingleses e americanos estão submetidos, da mesma forma que os editores americanos, aos regulamentos da cennsura. Como se viu, Margaret Anderson e Jane Heap, responsáveis pela Little Review em Nova York, tiveram dificuldade em enfrentar dois confiscos sucessivos sob acusação de obscenidade. Embora defendidas por John Quinn, o fervoroso advogado de Joyce, elas foram condenadas a multas que as arruinaram, fazendo afundar a revista, eleita, contudo, pela vanguarda americana.

Desanimado, Joyce perde a esperança de ver Ulisses publicado nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Abatido, confessa a Sylvia: "Ulisses jamais será publicado." Não se sabe o que leva a jovem mulher a lançar a Joyce um desafio, propondo-lhe:

"Você permitiria que Shakespeare and Company tivesse a honra de publicar seu Ulisses?"


A publicação de Ulisses I: travando conhecimentos

"Encontrei James Joyce pela primeira vez de surpresa,
durante o verão de 1920"

Escreve Sylvia Beach. Naquele dia, sua amiga Adrienne Monnier insistiu muito para que ela a acompanhasse. Então, esmagadas por um calor sufocante, foram a Neuilly, onde moram os Spire, no número 34 da rue du Bois-de-Boulogne.

Sylvia fica impressionada com a Figura de André Spire: a barba lhe devora as faces, os longos cabelos lembram um personagem da Bíblia gravado por William Blake.

Quando a conversa entre os diferentes convidados se inicia, Spire sopra ao ouvido de Sylvia:

"O escritor irlandês James Joyce está aqui."

O Sol Também Se Levanta - Ernest Hemingway

O Sol Também Se Levanta [The Sun Also Rises] foi o primeiro grande best seller de Ernest Hemingway. Publicado em 1926, fala sobre um grupo de expatriados americanos na Europa durante a década de 1920.

O título do livro, selecionados por Hemingway (por recomendação de seu editor) é retirada de Eclesiastes 1:5 :

"O sol também se levanta
e o sol se põe, e se apressa
para o local onde nasceu."


O título original de Hemingway para o livro era Fiesta, que acabou sendo utilizado nas edições em inglês, alemão, russo, italiano e espanhol do romance.

O livro fez a fama de Hemingway, inspirando jovens em toda a América a usar o cabelo curto e camisola como Brett Ashley e agir como ela também. Mudou o estilo de escrita de uma forma que seria utilizada pelas revistas norte-americanas nos vinte anos seguintes.

Assim como o título foi tirado da Bíblia, o livro também começa com outra citação de Eclesiastes, mais precisamente com o versículo anterior:

"Uma geração vai, e outra geração vem,
mas a terra permanece eternamente"
(Eclesiastes 1:4).

Os Exilados de Montparnasse - Jean-Paul Caracalla



"A América é minha terra,
mas Paris é minha casa."


A célebre frase de Gertrude Stein define a relação de editores, escritores e pintores com a Cidade Luz do início do século XX. Para eles, capital da emancipação das artes e da liberdade de expressão. Um câmbio vantajoso (um dólar comprava 55 francos), viagens transatlânticas especiais a preços reduzidos a bordo de navios French Line, ausência de proibição - que permitia aos mais etílicos consumir imoderadamente cerveja, uísque, gim e bourbon - eram alguns dos privilégios oferecidos aos americanos pós-Primeira Grande Guerra.


Em Os Exilados de Montparnasse, Jean-Paul Caracalla recria o clima libertário e de total independência vivido por mais de 250 artistas anglo-saxões radicados na cidade. Ao adotar Montparnasse como refúgio boêmio, esses recém-chegados se recusaram a aceitar as restrições, o puritanismo, a censura e o sexismo que tomou conta de seus países. Os dias eram passados na livraria americana Shakespeare and Company, de Sylvia Beach, ou no ateliê de Gertrude Stein.

Nesta Paris fervilhante, estavam constantemente em contato F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, D. H. Lawrence, James Joyce, Henry Miller, Ezra Pound e Edith Wharton, entre outros. Qual a residência das Musas na Grécia, aquele monte Parnaso se torna o Olimpo da criatividade. Um ponto de encontro internacional de poetas, pintores e suas excêntricas inspiradoras. Um grupo que marcou a história da literatura e ainda suscita o interesse de crítica e público.

Os Exilados de Montparnasse transmite, em páginas pulsantes de vida, encharcadas de álcool e de sensações hedonistas, a atmosfera de bares, cafés e livrarias. A essência do espírito boêmio como autêntica expressão cultural de Paris e uma afirmação vigorosa da liberdade, contra a rigidez e os valores utilitários da sociedade convencional.

Achados da Geração Perdida

Outono de 1908, estúdio do jovem (e duro) pintor Pablo Picasso, no decadente bairro de Montmartre, Paris. Trinta amigos reúnem-se para um banquete em homenagem ao pintor sexagenário Henri Rousseau. Picasso destina 50 garrafas de vinho para a festa e a comida, uma enorme paella valenciana, é preparada por Fernande Olivier, namorada do pintor. Assim começa a orgia gastronômica de Achados da Geração Perdida, um festim celestial onde escritores, artistas, músicos e bailarinos da Paris dos anos 20, os Anos Loucos, são os comensais.

Partilhe um escargot a la Bourguignon com Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald. Sente-se à mesa com James Joyce e sua editora Sylvia Beach para beliscar ostras e aspargos com maionese ao vinho tinto. Tome um chá com Gertrude Stein. Deguste uma sopa de cebolas no mítico Les Halles, o grande mercado no centro de Paris, com Man Ray e Kiki de Montparnasse.

Em trinta esquetes apetitosos, a autora reconstitui deliciosamente os prazeres da Geração Perdida, a primeira fornada de artistas do Modernismo, "no único lugar do planeta que nos dá a oportunidade de viver numa atmosfera normal para um ser humano", nas palavras de Richard Wright. Não fosse pelo diálogo ao redor de uma mesa, a refeição seria mero pasto. Daí tantas regras sobre o que dizer e como falar a mesa. O diálogo congrega aqueles que a comida tenderia a separar, por sua atração irresistivel. É para esta festa constante de inteligência e bom gosto da década de 20 que Rodriguez-Hunter convida seus leitores.

Bon appétit!

Duas Vidas: Gertrude e Alice - Janet Malcolm

Como foi possível um casal de judias, homossexuais e já em idade avançada, sobreviver aos nazistas na França Ocupada?

Com essa pergunta, Janet Malcolm inicia um trabalho de biografia literária e jornalismo investigativo. 'Duas vidas' é um retrato do par formado por Gertrude Stein e Alice B. Toklas, que atendeu às necessidades de Stein durante os quarenta anos de seu casamento.

Com o foco na época em que Stein e Toklas moraram numa aldeia da França de Vichy, 'Duas vidas' explora as ambiguidades de suas protagonistas e de seu tempo. De aparência e temperamento opostos, as duas mulheres lançaram mão de subterfúgios os mais diversos para permanecer na França depois de as deportações já terem começado. Malcolm revela que as duas guerras mundiais que Stein e Toklas atravessaram juntas têm como paralelo a guerra privada que se travava entre elas e que às vezes eclodia em combates amargos.



Shakespeare and Company: Uma livraria na Paris do entre-guerras

Em 1919, a margem esquerda do rio Sena ganhava um ponto de encontro - e às vezes refúgio - para os escritores de língua inglesa que passavam por Paris. A jovem norte-americana Sylvia Beach mudara-se para a cidade e decidira montar a livraria que apresentaria aos franceses as obras da genial safra de escritores dos EUA na primeira metade do século XX.

Batizada de Shakespeare and Company, a livraria também foi responsável por publicar a obra prima de James Joyce, Ulisses, que fora rejeitado e proibido no Reino Unido e nos Estados Unidos por ser considerado imoral.

Depois de viver seu auge no período entre-guerras, a Shakespeare and Company teve de fechar. A ocupação nazista em Paris ameaçava os livros, quadros e manuscritos guardados na loja. Anos depois, após a morte de Sylvia Beach, eles foram recolocados à disposição dos leitores, escritores, turistas e curiosos, desta vez em uma outra loja, pertencente a George Whitman, que rebatizou sua própria loja com o nome da Shakespeare, e deu à sua filha o nome da antiga proprietária.

Os Anos Loucos - William Wiser

Sinopse:

Entre as mortes do pintor Amedeo Modigliani e a de Sergei Diaghilev, o fabuloso produtor de balés, o século XX conheceu sua década mais mirabolante e criativa. Era quando todos precisavam estar em Paris. Foram os anos loucos que até hoje merecem a curiosidade e a inveja daqueles que não chegaram a tempo para a festa. Como observa, muito correto, William Wiser, responsável por esta orgia de livro, o fim da guerra não só acabou com um cáiser e um czar. Deu também um significado mais brilhante ao conceito de liberté, egalité e fraternité dos franceses. Paris virou o centro do mundo. Não só porque o câmbio era favorável ao dólar, mas também porque a cidade era a mais propícia do mundo para a alegria.

Os primeiros americanos a chegar foram os que tinham participado da guerra e queriam aproveitar as liberdades que a Belle Époque alardeara para o mundo, só possíveis na França liberal. James Thurber, e. e. cummings, John Dos Passos e Ernest Hemingway viram Paris e tentaram descobrir um jeito de ficar. Ezra Pound não esperou muito tempo. Circulava pela cidade como se ela já fosse de sua propriedade. Edmund Wilson também apareceu, apaixonado e rejeitado pela bonita Edna St. Vincent Millay, escritora de belos poemas. O casal, Zelda e Scott Fitzgerald, veio dar uma espiada. E foi apressado em sua conclusão: "Cultura vai atrás do dinheiro." Voltou para Nova York, virou best seller [e por fim em 1925 acabou voltando].

Os outros não quiseram arriscar. Ficaram em Paris, publicando o que escreviam em pequenas revistas literárias que não paravam de nascer e logo morrer, numa infindável sucessão. Foi um dos vícios dessa época tão generosa em suas modas e manias repentinas. Gertrude Stein, antiga moradora da cidade, ocupava sempre espaço nessas publicações efêmeras, divulgando um pouco de sua enorme produção literária. No começo, seu famoso estúdio da rue de Fleurus era hospitaleiro para os escritores americanos deslumbrados. Ernest Hemingway foi discípulo amado e, mais tarde, rejeitado. Ela era dona do melhor discernimento. Localizava com precisão a qualidade de uma frase ou de um quadro. Pablo Picasso foi uma de suas descobertas, como atesta o retrato que ele pintou dela, e que cada vez fica mais fascinante.

Atuando no mesmo setor das letras, tinha Sylvia Beach, dona da livraria Shakespeare and Company. Sua imortalidade ficou garantida por ter publicado a primeira edição de Ulysses, de James Joyce, um escritor sem tostão, que sempre se mostrava impertinente com seus benfeitores.

Mas Paris não era só um aglomerado de escritores exilados de terras mais provincianas. Era Coco Chanel, que mudou a cara da cidade com seus vestidos elegantes e confortáveis e seu perfume N.º5, até hoje uma mina de ouro. Chanel e o art déco da grande exposição de artes decorativas de 1925 são, para todo o sempre, a mais atraente imagem da década.

Paris virou vitrina e todo mundo queria entrar nela. Os negros americanos do le jazz hot chegaram na companhia de Josephine Baker, uma pantera desfilando outra pantera na coleira. Tinha Jean Cocteau e seu Le Boeuf sur le Toit. Mas o paraíso era dos americanos. Os milionários chegavam poderosos como Nancy Cunard, Sara e Gerald Murphy, Caresse e Harry Crosby, com Zelda e Scott Fitzgerald como testemunhas. Tudo era fácil e barato. Até 1929 e a queda da Bolsa. Aí todos foram embora, mas a história já estava feita. Nenhum outro século saberá repeti-la. Não tem problema. É assunto para um ótimo livro.

By TELMO MARTINO

Sobre o Autor:

William Wiser é um bem-sucedido autor de vários romances, entre os quais Disappearances. Americano de há muito residente na França, vive perto de Grasse com a esposa Michelle.