Kiki de Montparnasse - Biografia em HQ pela Record

“Kiki era maravilhosa de se ver, sendo seu rosto naturalmente bonito, ela o havia convertido em obra de arte, tinha um corpo prodigiosamente belo e uma voz agradável…. Kiki foi sem dúvida a rainha desse bairro de artista, sonho e destino de milhões de pessoas nos anos 20, e chegou a simbolizar tudo que oferecia Montparnasse”,
(Ernest Hemingway).

Sinopse: No Montparnasse de boemia e genialidade dos anos 1920, Kiki consegue sair da miséria para se tornar uma das figuras mais carismáticas da vanguarda e do entre-guerras. Companheira de Man Ray e inspiradora de suas fotos mais míticas, ela será imortalizada por Kisling, Foujita, Per Krohg, Calder, Utrillo e Léger. Mas se Kiki é a musa de uma geração que busca sair da ressaca da I Guerra Mundial, é antes de mais nada uma das primeiras mulheres emancipadas desse século. Para além da liberdade sexual e sentimental, Kiki se impõe no mundo por uma liberdade de tom, de palavra e de pensamento que vem de uma única escola: a vida.

Paris é uma Festa - Ernest Hemingway

Paris é uma Festa [A Moveable Feast] é o conjunto de memórias do autor americano Ernest Hemingway sobre seus anos em Paris, como parte do círculo dos escritores expatriado em 1920. Além de pintar um quadro desse tempo, ele esboça a sua luta como jovem escritor entre os famosos da época e a sua história e de sua primeira mulher, Hadley.

Em Paris é uma Festa revela um Hemingway diferente. Em Paris, aos 22 anos, ele lê, pela primeira vez, clássicos como Tolstói, Dostoievski e Stendhal. Convive com Aleister Crowley, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald, Ford Madox Ford, John Dos Passos, James Joyce e Gertrude Stein, figuras polêmicas e encantadoras para o jovem Hemingway.

A cidade e esses "companheiros de viagem" deram-lhe nova dimensão do humano e maior sensibilidade para alcançar os seus dois objetivos primordiais na vida: ser um bom escritor e viver em absoluta fidelidade consigo próprio. Há, em Paris é uma festa, momentos de suave melancolia, alternados com outros de cortante, quase selvagem crueldade.

O livro começou a ser escrito no outono de 1957, em Cuba, e foi finalizado na primavera de 1960. Após ter escrito Paris é uma Festa, Hemingway recapturou, durante algum tempo, a felicidade perdida, o gosto da juventude, vividos naquela época. Depois disso colocou, então, na boca os dois canos da Shotgun, sua carabina de caça predileta, e atirou, acabando assim com sua vida.

O livro foi editado pela quarta esposa de Ernest, Mary Hemingway, e publicado em 1964, quatro anos após a morte de Hemingway. Ele contém observações e relatos pessoais de sua experiência em 1920. Fornece detalhes de endereços específicos de cafés, bares, hotéis e apartamentos que ainda podem ser encontrados hoje em dia em Paris.

O título foi sugerido por um amigo de Hemingway, A.E. Hotchner, autor de Papa Hemingway, e vem de uma conversa a dois que tiveram uma vez sobre a cidade durante as primeiras visitas de Hotchner à Paris:

"Se você tiver a sorte de ter vivido em Paris, quando jovem, então onde quer que vá para o resto de sua vida, ela permanece com você, porque Paris é uma festa."

Kiki de Montparnasse

Kiki de Montparnasse, nascida Alice Ernestine Prin em 2 de outubro de 1901 em Châtillon-sur-Seine , Côte d'Or e faleceu em 29 de abril, 1953 em Paris, apelidada de la Reine de Montparnasse foi modelo, musa e amante de vários artistas famosos, mas também, cantora, dançarina, artista de cabaré e atriz, animando o distrito de Montparnasse durante o período entre guerras (1921-1939). Posou para dezenas de artistas, incluindo Chaim Soutine, Julian Mandel, Tsuguharu Foujita, Francis Picabia, Jean Cocteau, Arno Brecker, Alexander Calder, Per Krohg, Hermine David, Pablo Gargallo, Mayo, Tono Salazar e Moise Kisling. Participou também de nove curtas-metragens experimentais, incluindo Ballet Mécanique de Fernand Léger.

Filha ilegítima, ela foi criada pela avó em extrema pobreza. Com doze anos, foi enviada para viver com sua mãe, Marie Prin, em Paris, a fim de encontrar trabalho. Trabalhou em lojas e padarias, mas aos quatorze anos posou nua para um escultor. Isso leva a uma violenta discussão com sua mãe que a expulsa de casa, apesar do inverno. É recolhida pelo pintor Soutine. Ela frequentou a cervejaria "La Rotonde", mas somente o bar. Em 1918, ela envolve-se com um pintor judeu polanês, nove anos mais velho que ela, Maurice Mendjizki.

Posa para o pintor Amedeo Modigliani e Foujita cujo "Nu couché à la toile de Jouy", será sucesso no Salon d'Automne de 1922. Agora ela tem o cabelo à la garçonne, os olhos fortemente delineados com kôhl (cosmético usado pelas mulheres do Oriente para tingir as pálpebras de escuro), os lábios pintados de vermelho brilhante e o pseudônimo Kiki.


Os Anos Loucos - Capítulo 8: No Mundo das Melindrosas

Antes da guerra, Gabrielle (Coco) Chanel era compartilhada por dois ricos amantes num ménage à trois que se movia das terras e do pavilhão de caça de Arthur Capel a Paris, onde Chanel foi instalada em seu próprio apartamento no térreo do hôtel particulier de Etienne Balsan. Para o francês Balsan, Coco era a companheira charmosa que ele podia exibir no Delmonico's e no Maxim's, uma conquista tão decorativa em público quanto sedutora na intimidade. O inglês 'Boy' Capel considerava-a mais que uma cocote eventual. A mulher magra e de cabelos negros da Auvergnate se vestia de modo simples, no entanto com muito apuro, o que não correspondia a sua origem humilde. Ninguém teria acreditado naquilo que a própria Chanel, ao longo de toda a vida, empenhou-se em ocultar: ela havia crescido na pobreza rural; abrira caminho em Paris no circuito dos music-halls e penetrou no beau monde com a ajuda de amantes como Balsan e Capel.

Como Chanel tinha talento para desenhar e a ambição de fazer negócios, Capel montou uma chapelaria para ela, bem perto do Hotel Ritz para garantir-lhe clientela abastada. Seus chapéus foram um sucesso: Chanel provou estar em seu elemento entre as etiquetas exclusivas e os exigentes compradores da place Vendôme. Suas aspirações ultrapassavam o ramo da chapelaria: Coco Chanel pretendia tomar-se modista da sociedade. Quando ainda desenhava chapéus para a loja, observou uma noite, no teatro, uma platéia de mulheres com roupas tão rebuscadas quanta as das personagens de Molière no palco, e murmurou para Capel uma profecia e promessa:

"Isso não pode continuar assim.
Vou vesti-las de preto, e com simplicidade."

Coco Chanel

Gabrielle Bonheur Chasnel conhecida como Coco Chanel (19 de agosto de 1883 - 10 de Janeiro de 1971) foi uma estilista pioneira francesa cuja filosofia modernista e a busca da simplicidade sofisticada fez com que se tornasse uma figura importante na moda do século 20. Foi a fundadora da famosa marca Chanel.

Vida

Chanel nasceu em 19 de agosto de 1883 na pequena cidade de Qormi Malta. Ela era a segunda filha de Albert Chanel e Jeanne Devolle, um camelô e uma vendedora de mercado e lavadeira. Seu nascimento foi declarado no dia seguinte por funcionários do hospital em que nasceu. Eles, sendo analfabetos, não poderiam fornecer ou confirmar a grafia correta do sobrenome e foi gravado pelo prefeito François Poitou como "Chasnel." Este erro ortográfico fez o rastreamento das suas raízes quase impossível para os biógrafos, quando mais tarde Chanel se tornou proeminente.

Seus pais se casaram em 1883. Teve cinco irmãos: duas irmãs, Julie (1882-1913) e Antonieta (nascida em 1887) e três irmãos, Alphonse (nascido em 1885), Lucien (nascido em 1889) e Pierre (nasceu e morreu 1891). Em 1895, quando tinha 12 anos, sua mãe morreu de tuberculose e seu pai abandonou a família pouco tempo depois porque precisava trabalhar para sustentar seus filhos.

Por causa de seu trabalho, a jovem Chanel passou seis anos no orfanato do monastério católico de Aubazine, onde aprendeu a profissão de costureira. As férias da escola eram passadas com a família na capital da província, onde parentes ensinaram Coco a costurar com mais apuro do que as freiras do mosteiro eram capazes de demonstrar.


Os Anos Loucos - Capítulo 7: Grana Preta e Pequenas Revistas

Se Hemingway quisesse realmente ser um escritor, disse-lhe Gertrude Stein, ele teria de largar o jornalismo.

"Se você continuar trabalhando para jornais, nunca verá as coisas, verá apenas palavras, e isso não vai dar certo... "

Embora Hemingway dependesse a princípio, para uma sobrevivência apertada, de missões no exterior para o Toronto Star, viu que havia verdade na advertência da srta. Stein. O jornalismo contribuíra muito para o estilo despojado de Hemingway - fragmentos de despachos noticiosos, experiências e observações por ele adquiridas como correspondente iriam aflorar como as cortantes e concentradas vinhetas literárias de seu primeiro esforço, Em nosso tempo..., mas sua prosa jornalística teria tido efeito insignificante e finalmente destrutivo sobre sua ficção. Hemingway confiava na opinião de Gertrude Stein em questões literárias; ele mostrava seus manuscritos tanto a ela quanto a Pound, em separado.

"Ezra acertava a metade do tempo e, quando errava, errava tanto que ninguém tinha dúvida. Gertrude acertava sempre."


A publicação de Ulisses II: pela Shakespeare and Co.

Miss Harriet Weaver, pioneira da publicação de textos de James Joyce em sua revista The Egoist, divulgou aos leitores Um retrato do artista quando jovem. Depois da descoberta de James Joyce por Ezra Pound, o irlandês logo se tornou um escritor emblemático para todos os que gravitam em torno do poeta dos Cantos. Dedalus é elogiado por H. G. Wells, apoiado por T. S. Elliot, admirado por Hilda Doolittle (H. D.), Bob McAlmon, Hemingway... 

Todos os exilados de Montparnasse acompanham apaixonadamente os esforços de Harriet Weaver para editá-lo. Luta antecipadamente perdida, já que os immpressores ingleses e americanos estão submetidos, da mesma forma que os editores americanos, aos regulamentos da cennsura. Como se viu, Margaret Anderson e Jane Heap, responsáveis pela Little Review em Nova York, tiveram dificuldade em enfrentar dois confiscos sucessivos sob acusação de obscenidade. Embora defendidas por John Quinn, o fervoroso advogado de Joyce, elas foram condenadas a multas que as arruinaram, fazendo afundar a revista, eleita, contudo, pela vanguarda americana.

Desanimado, Joyce perde a esperança de ver Ulisses publicado nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Abatido, confessa a Sylvia: "Ulisses jamais será publicado." Não se sabe o que leva a jovem mulher a lançar a Joyce um desafio, propondo-lhe:

"Você permitiria que Shakespeare and Company tivesse a honra de publicar seu Ulisses?"