Os Anos Loucos - Capítulo 8: No Mundo das Melindrosas

Antes da guerra, Gabrielle (Coco) Chanel era compartilhada por dois ricos amantes num ménage à trois que se movia das terras e do pavilhão de caça de Arthur Capel a Paris, onde Chanel foi instalada em seu próprio apartamento no térreo do hôtel particulier de Etienne Balsan. Para o francês Balsan, Coco era a companheira charmosa que ele podia exibir no Delmonico's e no Maxim's, uma conquista tão decorativa em público quanto sedutora na intimidade. O inglês 'Boy' Capel considerava-a mais que uma cocote eventual. A mulher magra e de cabelos negros da Auvergnate se vestia de modo simples, no entanto com muito apuro, o que não correspondia a sua origem humilde. Ninguém teria acreditado naquilo que a própria Chanel, ao longo de toda a vida, empenhou-se em ocultar: ela havia crescido na pobreza rural; abrira caminho em Paris no circuito dos music-halls e penetrou no beau monde com a ajuda de amantes como Balsan e Capel.

Como Chanel tinha talento para desenhar e a ambição de fazer negócios, Capel montou uma chapelaria para ela, bem perto do Hotel Ritz para garantir-lhe clientela abastada. Seus chapéus foram um sucesso: Chanel provou estar em seu elemento entre as etiquetas exclusivas e os exigentes compradores da place Vendôme. Suas aspirações ultrapassavam o ramo da chapelaria: Coco Chanel pretendia tomar-se modista da sociedade. Quando ainda desenhava chapéus para a loja, observou uma noite, no teatro, uma platéia de mulheres com roupas tão rebuscadas quanta as das personagens de Molière no palco, e murmurou para Capel uma profecia e promessa:

"Isso não pode continuar assim.
Vou vesti-las de preto, e com simplicidade."

Coco Chanel

Gabrielle Bonheur Chasnel conhecida como Coco Chanel (19 de agosto de 1883 - 10 de Janeiro de 1971) foi uma estilista pioneira francesa cuja filosofia modernista e a busca da simplicidade sofisticada fez com que se tornasse uma figura importante na moda do século 20. Foi a fundadora da famosa marca Chanel.

Vida

Chanel nasceu em 19 de agosto de 1883 na pequena cidade de Qormi Malta. Ela era a segunda filha de Albert Chanel e Jeanne Devolle, um camelô e uma vendedora de mercado e lavadeira. Seu nascimento foi declarado no dia seguinte por funcionários do hospital em que nasceu. Eles, sendo analfabetos, não poderiam fornecer ou confirmar a grafia correta do sobrenome e foi gravado pelo prefeito François Poitou como "Chasnel." Este erro ortográfico fez o rastreamento das suas raízes quase impossível para os biógrafos, quando mais tarde Chanel se tornou proeminente.

Seus pais se casaram em 1883. Teve cinco irmãos: duas irmãs, Julie (1882-1913) e Antonieta (nascida em 1887) e três irmãos, Alphonse (nascido em 1885), Lucien (nascido em 1889) e Pierre (nasceu e morreu 1891). Em 1895, quando tinha 12 anos, sua mãe morreu de tuberculose e seu pai abandonou a família pouco tempo depois porque precisava trabalhar para sustentar seus filhos.

Por causa de seu trabalho, a jovem Chanel passou seis anos no orfanato do monastério católico de Aubazine, onde aprendeu a profissão de costureira. As férias da escola eram passadas com a família na capital da província, onde parentes ensinaram Coco a costurar com mais apuro do que as freiras do mosteiro eram capazes de demonstrar.


Os Anos Loucos - Capítulo 7: Grana Preta e Pequenas Revistas

Se Hemingway quisesse realmente ser um escritor, disse-lhe Gertrude Stein, ele teria de largar o jornalismo.

"Se você continuar trabalhando para jornais, nunca verá as coisas, verá apenas palavras, e isso não vai dar certo... "

Embora Hemingway dependesse a princípio, para uma sobrevivência apertada, de missões no exterior para o Toronto Star, viu que havia verdade na advertência da srta. Stein. O jornalismo contribuíra muito para o estilo despojado de Hemingway - fragmentos de despachos noticiosos, experiências e observações por ele adquiridas como correspondente iriam aflorar como as cortantes e concentradas vinhetas literárias de seu primeiro esforço, Em nosso tempo..., mas sua prosa jornalística teria tido efeito insignificante e finalmente destrutivo sobre sua ficção. Hemingway confiava na opinião de Gertrude Stein em questões literárias; ele mostrava seus manuscritos tanto a ela quanto a Pound, em separado.

"Ezra acertava a metade do tempo e, quando errava, errava tanto que ninguém tinha dúvida. Gertrude acertava sempre."