A publicação de Ulisses II: pela Shakespeare and Co.

Miss Harriet Weaver, pioneira da publicação de textos de James Joyce em sua revista The Egoist, divulgou aos leitores Um retrato do artista quando jovem. Depois da descoberta de James Joyce por Ezra Pound, o irlandês logo se tornou um escritor emblemático para todos os que gravitam em torno do poeta dos Cantos. Dedalus é elogiado por H. G. Wells, apoiado por T. S. Elliot, admirado por Hilda Doolittle (H. D.), Bob McAlmon, Hemingway... 

Todos os exilados de Montparnasse acompanham apaixonadamente os esforços de Harriet Weaver para editá-lo. Luta antecipadamente perdida, já que os immpressores ingleses e americanos estão submetidos, da mesma forma que os editores americanos, aos regulamentos da cennsura. Como se viu, Margaret Anderson e Jane Heap, responsáveis pela Little Review em Nova York, tiveram dificuldade em enfrentar dois confiscos sucessivos sob acusação de obscenidade. Embora defendidas por John Quinn, o fervoroso advogado de Joyce, elas foram condenadas a multas que as arruinaram, fazendo afundar a revista, eleita, contudo, pela vanguarda americana.

Desanimado, Joyce perde a esperança de ver Ulisses publicado nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Abatido, confessa a Sylvia: "Ulisses jamais será publicado." Não se sabe o que leva a jovem mulher a lançar a Joyce um desafio, propondo-lhe:

"Você permitiria que Shakespeare and Company tivesse a honra de publicar seu Ulisses?"


A publicação de Ulisses I: travando conhecimentos

"Encontrei James Joyce pela primeira vez de surpresa,
durante o verão de 1920"

Escreve Sylvia Beach. Naquele dia, sua amiga Adrienne Monnier insistiu muito para que ela a acompanhasse. Então, esmagadas por um calor sufocante, foram a Neuilly, onde moram os Spire, no número 34 da rue du Bois-de-Boulogne.

Sylvia fica impressionada com a Figura de André Spire: a barba lhe devora as faces, os longos cabelos lembram um personagem da Bíblia gravado por William Blake.

Quando a conversa entre os diferentes convidados se inicia, Spire sopra ao ouvido de Sylvia:

"O escritor irlandês James Joyce está aqui."

Os Anos Loucos - Capítulo 6: Recém-Chegados

"Essa Paris me abalou dos pés a cabeça"

Escreveu Joan Miró para casa, acrescentando: "no bom sentido." Ele estava abalado, surpreendido pelo novo e bombardeado por sensações, mas incapaz a princípio de traduzir a experiência na tela. O tímido e introvertido catalão andava pelas ruas da grande cidade olhando tudo, e em silêncio.

Tanto Miró quanto Picasso eram de Barcelona, mas o caráter e o talento opunham-nos como catalães. Picasso pode ter dado as costas a velhos amigos dos anos cubistas, no entanto foi extremamente expansivo ao receber o recém-chegado Miró, assumindo o papel de irmão mais velho e mentor do seu colega espanhol: instalou-o num quarto de hotel na rue Notre-Dame-des-Victoires, onde moravam muitos de seus compatriotas. Picasso lembrava-se da sua sofrida transição para a efervescente capital das artes e da necessidade que ele havia sentido de conviver com espanhóis. Para facilitar o lançamento de Miró no mundo artístico parisiense, Picasso apresentou-o a seu marchand, Paul Rosenberg. E também comprou duas pinturas de Miró, um modo ainda mais eficaz de expressar interesse autêntico pelo talento do artista mais novo.

Nos primeiros meses, Miró perambulou pela cidade estranha como alguém deslocado, oprimido por uma turbulência de impressões e imagens. Ao voltar para seu desolado quarto de hotel por trás da Bolsa, era incapaz de pegar num pincel ou de fazer um esboço.

"Toda a doçura que há aqui penetra-me até a medula"