Francis Picabia

Nascido François Marie Martinez Picabia, 22 de janeiro de 1879 - 30 de Novembro de 1953, foi um pintor francês e um poeta.

Francis Picabia nasceu em Paris, de mãe francesa e um pai espanhol de Cuba, que foi um adido na embaixada cubana em Paris. Sua mãe morreu de tuberculose quando ele tinha sete anos. Seu pai era descendente de espanhol aristocrática.

Financeiramente independentes, Picabia estudou com Fernand Cormon e outros na École des Arts Decoratifs, em finais de 1890. Em 1894, Picabia financiou a sua coleção do selo, copiando uma colecção de pintura espanhola, que pertencia a seu pai, trocando os originais para as cópias, sem o conhecimento de seu pai, e vendendo os originais. Fernand Cormon levou em sua academia no número 104, do Boulevard de Clichy, onde Van Gogh e Toulouse-Lautrec também tinha estudado. A partir dos 20 anos, ele viveu com a pintura; posteriormente herdou o dinheiro de sua mãe.


Adrienne Monnier

Quando a livraria francesa La Maison des Amis des Livres abriu as suas portas no dia 15 de novembro de 1915, no número 7 da rue de l'Odeon na margem esquerda do Sena, em Paris, a proprietária Adrienne Monnier, então com 23 anos, tinha o objetivo modesto de querer compartilhar seu amor pela literatura com o público.

Embora às vezes as mulheres atendessem em uma livraria da família, e as viúvas, ocasionalmente, assumissem os negócios editoriais da família, era raro que uma mulher francesa e independente se tornasse uma livreira. No entanto Adrienne, que havia trabalhado como professora e como secretária literária, adorava o mundo da literatura e estava determinada a fazer carreira vendendo livros. Com capital limitado, ela e sua amiga Suzanne Bonnierre abriram sua loja no momento em que havia necessidade real de uma loja de livros nova, já que muitos vendedores de livro tinham deixado seu trabalho para se juntarem as forças armadas.


Sylvia Beach

Sylvia Beach (14 de março, 1887 - 5 de outubro, 1962), nascida na casa paroquial de seu pai, em Baltimore, Maryland, foi uma das figuras principais dos expatriado em Paris entre a I e a II Guerra Mundial


Sylvia era a segunda das três filhas de Silvestre Beach e Thomazine Eleanor Orbison. Embora chamada Nancy Woodbridge Beach, mais tarde decidiu mudar seu nome para Sylvia. Seus avós maternos eram missionários na Índia, e seu pai, um pastor presbiteriano, era descendente de várias gerações de clérigos. Quando as meninas eram jovens a família vivia em Baltimore e em Bridgeton, Nova Jersey. Então, em 1901, a família mudou-se para França após a nomeação Sylvester Beach como ministro-assistente da Igreja americana em Paris e diretor do centro de estudante americano.


Sylvia Beach passou mais de três anos em Paris (1902-1905), mas retornou a Nova Jersey, em 1906, quando seu pai se tornou ministro da Primeira Igreja Presbiteriana de Princeton. Depois que sua família retornou aos Estados Unidos, Sylvia fez várias viagens de regresso à Europa, viveu por dois anos em Espanha, e trabalhou para a Cruz Vermelha. Durante os últimos anos da Grande Guerra, ela foi atraída de volta a Paris para estudar literatura francesa contemporânea.


Ezra Pound

Ezra Weston Loomis Pound (30 de outubro de 1885 - 1 de novembro de 1972) foi um poeta, crítico e intelectual americano expatriado, uma figura importante do movimento modernista na primeira metade do século 20. Ele é geralmente considerado o poeta responsável por definir e promover uma estética modernista na poesia. O crítico Hugh Kenner disse ao conhecê-lo:

"De repente sabia que eu estava na presença do centro do modernismo”.

No início do século XX, ele promoveu uma frutífera troca de trabalho e de idéias entre escritores britânicos e americanos, e era famoso pela generosidade com que conseguia patrocínio para o trabalho de contemporâneos, tais como Robert Frost, William Carlos Williams, Marianne Moore, Ernest Hemingway, Wyndham Lewis e, especialmente, T. S. Eliot. Pound também teve uma profunda influência sobre os escritores irlandeses WB Yeats e James Joyce.

Sua própria poesia contribuiu significativamente com o início do movimento do Imagismo, movimento na poesia que derivou sua técnica da poesia chinesa e japonesa clássica, enfatizando a clareza, precisão e economia de linguagem, e abandonando a rima e a métrica tradicional, a fim de, nas palavras dele:

"... compor na sequência de frase musical e não na do metrônomo."


Os Exilados de Montparnasse - Jean-Paul Caracalla



"A América é minha terra,
mas Paris é minha casa."


A célebre frase de Gertrude Stein define a relação de editores, escritores e pintores com a Cidade Luz do início do século XX. Para eles, capital da emancipação das artes e da liberdade de expressão. Um câmbio vantajoso (um dólar comprava 55 francos), viagens transatlânticas especiais a preços reduzidos a bordo de navios French Line, ausência de proibição - que permitia aos mais etílicos consumir imoderadamente cerveja, uísque, gim e bourbon - eram alguns dos privilégios oferecidos aos americanos pós-Primeira Grande Guerra.


Em Os Exilados de Montparnasse, Jean-Paul Caracalla recria o clima libertário e de total independência vivido por mais de 250 artistas anglo-saxões radicados na cidade. Ao adotar Montparnasse como refúgio boêmio, esses recém-chegados se recusaram a aceitar as restrições, o puritanismo, a censura e o sexismo que tomou conta de seus países. Os dias eram passados na livraria americana Shakespeare and Company, de Sylvia Beach, ou no ateliê de Gertrude Stein.

Nesta Paris fervilhante, estavam constantemente em contato F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, D. H. Lawrence, James Joyce, Henry Miller, Ezra Pound e Edith Wharton, entre outros. Qual a residência das Musas na Grécia, aquele monte Parnaso se torna o Olimpo da criatividade. Um ponto de encontro internacional de poetas, pintores e suas excêntricas inspiradoras. Um grupo que marcou a história da literatura e ainda suscita o interesse de crítica e público.

Os Exilados de Montparnasse transmite, em páginas pulsantes de vida, encharcadas de álcool e de sensações hedonistas, a atmosfera de bares, cafés e livrarias. A essência do espírito boêmio como autêntica expressão cultural de Paris e uma afirmação vigorosa da liberdade, contra a rigidez e os valores utilitários da sociedade convencional.

Os Anos Loucos - Capítulo 4: Apresentações

Os recém-chegados a Paris não sabiam que os preços tinham quadruplicado desde o começo da guerra. Alguns produtos custavam mais de dez vezes o seu valor: os cigarros subiram 100%; o sabão, 500%.


O desemprego era grave, naturalmente, após a desmobilização do maior exército que a França já havia convocado; as pensões dos idosos quase não valiam mais nada. Mas a horda de invasores pouco ligava para o preço do pão, majorado oficialmente de cinquenta para noventa cêntimos. A drástica desvalorização do franco francês era apenas um dos motivos que atraíram à Paris a primeira leva de americanos. No mesmo dia em que os jornais anunciaram o aumento do pão, 1º de janeiro de 1920, o dólar estava valendo 26,76 francos - uma única nota das 'verdinhas' dava para comprar pão para o mês inteiro.

As antigas regiões industrializadas no Nordeste da França foram devastadas e despovoadas - e não só a francesa, mas a maioria das economias européias se arruinaram com a guerra - enquanto os Estados Unidos prosperaram no período 1914-18, sendo a maior potência industrial do mundo já no começo da década de 20.

O aspecto externo de Paris mantinha-se, porém, inalterado: a cidade sorria sedutora para seus visitantes, ainda que, por trás da fachada, prevalecesse uma pobreza de recursos e espírito. Os que tinham dinheiro - ouro, ou moeda resgatável em ouro - eram os novos peregrinos. Após a crise financeira de 1924-26 na França, o dólar dispararia para uma cotação máxima de cinquenta francos. A falta de estabilidade econômica abriu caminho para uma rica invasão da França por expatriados com dólares. Por apenas oitenta dólares um americano comprava uma passagem em classe turística para atravessar o Atlântico; os aventureiros de verdade poderiam chegar até Le Havre através do trabalho, "metendo a mão na massa" nos fétidos porões dos navios boieiros. Uma modesta mesada vinda de casa daria para bancar um americano em Paris pelo que parecia ser para sempre - os ganhos com a moeda tornavam essa primeira experiência de Grand Tour possível.

Os "loucos anos 20" e as Mutações nos Comportamentos e na Cultura

"Os anos 20 (1924-1929) foram anos de prosperidade. O American way of life (estilo de vida americano) invadiu a Europa. Aos benefícios da sociedade de consumo associou-se a busca de prazer e a evasão e intensificou-se a vida noturna. Os teatros, os cinemas, os night-clubs e outras salas de espetáculos e de jogos das grandes cidades tornaram-se locais habitualmente frequentados. As novas bebidas (cocktail), as novas músicas (sobretudo o jazz) e as novas danças (charleston, lambeth walk, swing e rumba) passaram a animar a vida noturna. Rallies de automóveis, corridas de carros e de cavalos e outros desportos (como o futebol) constituíam outros divertimentos que envolviam grandes massas. O rápido desenvolvimento dos meios de transporte (comboio, automóvel, avião) e dos meios de comunicação (rádio, telégrafo, telefone...) acelerou o quotidiano das pessoas, favorecendo uma maior mobilidade espacial e do ritmo de vida. A moda de viajar entrou nos hábitos e prazeres das classes médias. Às viagens de negócios acrescentaram-se as viagens lúdicas, de turismo, quer no interior dos próprios países, quer para países estrangeiros, criando-se e desenvolvendo-se novas infra-estruturas para apoio destes lazeres: agências de viagens, serviços de hotelaria especializados, mapas, guias turísticos, bilhetes-postais ilustrados, etc. Paralelamente a este novo estilo de vida, o período entre as duas guerras mundiais caracterizou-se por uma latente inquietação e instabilidade nos comportamentos sociais. A paz estabelecida pelo Tratado de Versalhes, que pôs fim à 1.ª Guerra Mundial (1919), foi uma paz aparente, já que, na Alemanha e na Itália, o nazismo e o fascismo iniciavam a sua caminhada galopante. A crise de 1929 viria a agravar essa instabilidade gerando mesmo angústias e miséria que iriam ter consequências em todos os níveis."
A Era dos Extremos
Eric Hobswam

Achados da Geração Perdida

Outono de 1908, estúdio do jovem (e duro) pintor Pablo Picasso, no decadente bairro de Montmartre, Paris. Trinta amigos reúnem-se para um banquete em homenagem ao pintor sexagenário Henri Rousseau. Picasso destina 50 garrafas de vinho para a festa e a comida, uma enorme paella valenciana, é preparada por Fernande Olivier, namorada do pintor. Assim começa a orgia gastronômica de Achados da Geração Perdida, um festim celestial onde escritores, artistas, músicos e bailarinos da Paris dos anos 20, os Anos Loucos, são os comensais.

Partilhe um escargot a la Bourguignon com Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald. Sente-se à mesa com James Joyce e sua editora Sylvia Beach para beliscar ostras e aspargos com maionese ao vinho tinto. Tome um chá com Gertrude Stein. Deguste uma sopa de cebolas no mítico Les Halles, o grande mercado no centro de Paris, com Man Ray e Kiki de Montparnasse.

Em trinta esquetes apetitosos, a autora reconstitui deliciosamente os prazeres da Geração Perdida, a primeira fornada de artistas do Modernismo, "no único lugar do planeta que nos dá a oportunidade de viver numa atmosfera normal para um ser humano", nas palavras de Richard Wright. Não fosse pelo diálogo ao redor de uma mesa, a refeição seria mero pasto. Daí tantas regras sobre o que dizer e como falar a mesa. O diálogo congrega aqueles que a comida tenderia a separar, por sua atração irresistivel. É para esta festa constante de inteligência e bom gosto da década de 20 que Rodriguez-Hunter convida seus leitores.

Bon appétit!

Duas Vidas: Gertrude e Alice - Janet Malcolm

Como foi possível um casal de judias, homossexuais e já em idade avançada, sobreviver aos nazistas na França Ocupada?

Com essa pergunta, Janet Malcolm inicia um trabalho de biografia literária e jornalismo investigativo. 'Duas vidas' é um retrato do par formado por Gertrude Stein e Alice B. Toklas, que atendeu às necessidades de Stein durante os quarenta anos de seu casamento.

Com o foco na época em que Stein e Toklas moraram numa aldeia da França de Vichy, 'Duas vidas' explora as ambiguidades de suas protagonistas e de seu tempo. De aparência e temperamento opostos, as duas mulheres lançaram mão de subterfúgios os mais diversos para permanecer na França depois de as deportações já terem começado. Malcolm revela que as duas guerras mundiais que Stein e Toklas atravessaram juntas têm como paralelo a guerra privada que se travava entre elas e que às vezes eclodia em combates amargos.