Ele era Modi, ela era Noix-de-Coco - ou ele a chamava Haricot Rouge naquele inverno da Grande Guerra quando os amantes não comiam nada a não ser feijão vermelho. Modigliani havia colhido uma flor recém-desabrochada e frágil entre as jovens alunas da Academia de Arte Colarossi: Jeanne Hébuterne, de 19 anos, o último grande amor do pintor. Ele pintou-a na pose lânguida, sensual, alongada das mulheres de Modigliani; ela fugiu de casa para partilhar sua vida miserável na rue de la Grande-Chaumière e engravidar dele. Por algum tempo houve uma mesada - de até três mil francos - do marchand Zborowski, mas o dinheiro se esvaía em absinto e vinho, haxixe ou cocaína.
Uma vez, num grande porre ou numa alucinação causada por drogas, Modi arrastou Jeanne pelas tranças e poderia tê-la espancado na rua, não fosse a intervenção de uma zeladora.
"Nós estamos de acordo, Jeanne e eu, numa alegria eterna", disse ele a Zbo - fosse o que fosse o que, em 1919, isso queria dizer em Montparnasse. A deles foi sem dúvida uma história de inverno das Cenas da vida boêmia de Henri Murger. Quando Amedeo Modigliani morreu de meningite tuberculosa no Hôpital de la Charité, seu irmão Emmanuele telegrafou a Kisling de Roma:
"Enterre-o como um príncipe."
